Entrevista com a stylist Letícia Toniazzo

Queridonas e queridões espalhados pelo território tupi-guarani…

Escrevi uma coluna pra Capricho sobre a profissão de stylist. Depois fiquei pensando e achei que nada melhor pra conhecer mais sobre a carreira do que saber da boca de uma profissional que manda muuuuuuuito bem nessa área.

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Com vocês… Letícia Toniazzo (ou Lelê pros íntimos)

1- Onde vc se formou? Que curso fez? Fez algum curso livre a mais?

Estudei arquitetura e urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e depois Moda na Universidade de Caxias do Sul (UCS). E depois fiz um curso rápido de desenvolvimento de coleções no IED em Milão.

2- Como começou? Quais foram os primeiros trampos?

Comecei trabalhando em Porto Alegre fazendo figurino para fotografias e filmes publicitários. Depois de um tempo desisti porque eu realmente não gostava daquilo. Não gostava da falta de possibilidade de criação. Foi aí que fui para a Itália e, na volta, conheci o Dani Ueda. Fui para SP fazer um estágio como assistente dele durante dois meses e nunca mais voltei! Trabalhei 2 anos com ele, outros 3 como assistente do Paulo Martinez e, depois disso, passei a trabalhar sozinha. Um dos meus primeiros trabalhos sozinha foi o desfile de retorno da Giselle Nasser ao Hot Spot e, desde então, passamos a trabalhar sempre juntas.

3- O que um stylist faz? Quais são as áreas e veículos que ele atua?

O stylist é responsável pelo estilo, no exato sentido da palavra que estamos acostumados a falar. Ele é responsável por estabelecer um estilo para o “personagem” que ele está vestindo, seja em um desfile ou em um editorial. Costuma-se trabalhar em revistas, assinando os editoriais de moda, em desfiles, em campanhas e catálogos de marcas de roupas e acessórios e até prestando consultoria criativa e de estilo em algumas empresas.

4- Qual é a relação do stylist com o estlista?

Ouvi durante muito tempo o Paulo [Martinez] se colocando no papel de advogado do diabo. Ele tem razão. O stylist é a pessoa que vê de fora, que chega para questionar o estilista e, junto com ele, criar uma imagem. É papel do stylist perguntar POR QUE o tempo todo e, depois disso, apresentar soluções novas, contar para o estilista (que geralmente está completamente inserido no universo de pesquisa do desfile) que aquela imagem já existe ou que talvez não é tão adequada para os tempos atuais (veja bem!!!!!! atualidade em moda muda com um piscar de olhos). Mas acho que, sobretudo, é uma relação de troca: troca de experiências, de conhecimento, de novidades, de anseios e ansiedades. Precisa existir respeito e cumplicidade e precisa ter diplomacia e capacidade de negociação também!

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Trabalho da Lelê para a marca Têca, no Fashion Rio

5- Quais são os seus stylists preferidos na moda? (No Brasil e no exterior…)

No Brasil, Daniel Ueda, Paulo Martinez e Maurício Ianes. E fora, amo a Marie Amelie Sauve, Nancy Rohde, Marie Chaix e Melanie Ward.

6-Dê algumas dicas e conselhos pra quem quer seguir a carreira de stylist….

Acho que é uma profissão que precisa de muita disciplina, dedicação e atenção. Tem que ler muito, ver todas as revistas de moda que puder, muito filme, todos os desfiles. Tem que consumir muita informação. Ver de tudo, conhecer um pouco de tudo, prestar atenção até no jeito que as pessoas amarram o sapato, afinal estamos falando de estilo. Acho que é importante também desenvolver um senso de organização e responsabilidade, pois trabalhamos, na maioria das vezes, com peças caras, às vezes únicas, e emprestadas, que têm que voltar de onde saíram do mesmo jeito que estavam quando te emprestaram.

7- O que um stylist não pode fazer de jeito nenhum?

Acho que é transformar o trabalho de uma marca ou estilista no seu trabalho pessoal. Tem que respeitar!

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Rita Wainer (da Theodora) no estilo…e Lelê no styling. Duplinha matadora…

8- No Brasil tem bastante mercado para um stylist?

Comparado com NY, Paris e Londres tem bastante. Como é um mercado relativamente novo, existem muito menos profissionais trabalhando e quase todos são brasileiros! Nessas outras cidades, além dos profissionais locais, o mundo inteiro sonha e tenta achar o seu lugar ao sol também. Não acho nem um pouco impossível, mas tenho consciência que é mais difícil. Acho que a melhor forma de se inserir no mercado é sendo assistente de stylists que trabalham bastante ou fazendo estágios no departamento de moda das revistas (assim também é uma maneira mais fácil de conhecer diferentes stylists e ter a oportunidade de trabalhar com pessoas que têm diferentes linguagens de estilo).

É isso gente. Espero que vcs tenham gostado e aproveitado bastante a conversa com essa moça talentosa.

Super obrigado Lêle… vc é uma queridona de marca maior!!!

Bjsssssssss a todos….

Thá

~ por Thais Losso em 11 Outubro 2007.

7 Respostas to “Entrevista com a stylist Letícia Toniazzo”

  1. AMEI e linkei pro meu blog! Há tempos eu queria saber e contar pra quem lê o meu blog o que, de verdade, faz um stylist. Eu mesma – que amo moda, hein!? – não sabia direito, seu post foi super esclarecedor!
    Um beijão!

  2. [...] A fofíssima estilista Thaís Losso (de quem eu falei ontem mesmo) se adiantou, fez uma coluna pra Capricho explicando o que faz o stylist e ainda fez uma entrevista muito bacana com a stylist Letícia Toniazzo. Se você não sabe o que fazum stylist num desfile, corre lá sem vergonha. [...]

  3. Adorei!!
    Sou estudante de moda e a entrevista foi esclarecedora!
    Hiper beijo

  4. Lelê, que cabelos looooongos! Bacana a entrevista. Vou passar o link pros meus alunos do pós em MKT e moda da ESPM.

  5. Thaíssss! muito obrigada!!! adorei! muito!

  6. adoro suas colunas
    leio todas sempre…
    vc contagia…. vou começar a fazer moda, adoreii essa ultima entrevista com a leticia… esclareceu mto….
    adoro seu trabalho
    bjsssssssss

  7. [...] gente já tinha falado do trabalho dos stylists aqui nesse post e a Thaís Losso entrevistou a Lelê Toniazzo, stylist queridíssima de todo mundo do mundjinho, pra explicar o que é, como faz e o que tem que [...]

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